Quem são meus Stakeholders?

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Stekeholders

Engajamento como estratégia em gerenciamento de riscos.

Partes Interessadas ou Stakeholders são pessoas ou grupos direta ou indiretamente afetados por um projeto, bem como aqueles que podem ter interesses em um projeto e/ou capacidade para influenciar seu resultado, quer positiva ou negativamente. Os interessados incluem as comunidades e/ou indivíduos afetados localmente e seus representantes formais e informais, autoridades governamentais no âmbito nacional ou local, políticos, líderes religiosos, organizações da sociedade civil e grupos com interesses especiais, a comunidade acadêmica ou outras empresas. Por sua vez, o termo engajamento refere-se às interações entre a empresa e as diferentes partes interessadas. Este conceito abrange uma ampla gama de atividades, desde a simples prestação de informações até diálogos efetivos e o estabelecimento de parcerias.

Considerando o atual cenário geopolítico em que aumentam os índices de conflitos socioambientais e a pressão nacional (políticas públicas) e internacional (principalmente por entes financiadores), em relação à adoção de instrumentos de Governança Corporativa, faz-se necessário o desenvolvimento de estratégias consistentes de engajamento ao longo de todo o ciclo de vida de um projeto. As crescentes exigências da sociedade, a criação de marcos legais e a fiscalização por parte de agências regulatórias e órgãos ambientais evidenciam a importância da construção de um Plano Corporativo de Engajamento de Stakeholders robusto e capaz, não apenas de abarcar as especificidades do contexto histórico-cultural dos territórios nos quais uma empresa opera; mas sobretudo de alavancar uma transformação social positiva, com base na geração de valor compartilhado entre as partes.

A compreensão sobre a necessidade do desenvolvimento proativo de relacionamentos pautados pela transparência e no valor compartilhado, parte do reconhecimento de que muitos projetos estão situados num contexto preexistente, porém dinâmico, marcado por complexas relações sociopolíticas e econômicas, que podem ser alteradas com a instalação e/ou operação do empreendimento, seja de forma direta ou indireta, por meio do processo de desenvolvimento que o acompanha, passíveis de provocar problemas e conflitos, além de outros resultados imprevistos. Além disso, há riscos e oportunidades materiais e imateriais decorrentes de relações deficientes ou profícuas com as partes interessadas.

É imprescindível que na fase de início da operação de determinados empreendimentos, o empreendedor esteja atento para a forma como gerencia as suas consultas e participação, pois o modo como tal ação é realizada impacta significativamente no desenvolvimento das relações durante o restante do ciclo operacional destes Projetos, ao longo do período de concessão e eventual descomissionamento.

Portanto, a estratégia de interlocução e comunicação com as partes interessadas deve transcender a mera atenuação de impactos negativos; centrando-se na manutenção das relações construtivas e significativas, de longo prazo, nas quais a empresa e suas Concessionárias sejam percebidas como aliados/parceiros das comunidades locais, autoridades governamentais e grupos vulneráveis e/ou críticos.

Assim, é recomendável que a empresa anteveja e se antecipe a possíveis fontes de questionamento e/ou conflito em sua área de influência. Considerando uma realidade socioeconômica dinâmica, marcada por grupos sociais e interesse diversos, mostra-se premente que a organização se posicione de forma qualificada perante as necessidades destes atores e forneça mecanismos, canais e procedimentos formais de diálogo, registro e tratativa da comunicação – em especial, reclamações durante todo o ciclo do projeto.

Em última instância, é importante e conveniente que a estratégia apresentada encontra-se alinhada aos normativos internacionais de referência no que concerne à Responsabilidade Social Corporativa (RSC) e Engajamento de Stakeholders, dentre os quais podem-se ressaltar: Princípios do Pacto Global das Nações Unidas; Agenda 2030 (integra o Pacto Global e elenca os 17 Objetivos do Desenvolvimento Sustentável – ODS); Padrões de Desempenho sobre Sustentabilidade Socioambiental do International Finance Corporation (IFC); Princípios do Equador; Diretrizes do Global Reporting Iniciative (GRI – G4); Padrões da AccountAbility (AA1000).

Márcio Cataldo

Márcio Cataldo

5 respostas

  1. Mais uma peça primorosa, baseada em conhecimento e experiência. Assunto de alto interesse, principalmente hoje em dia quando os investidores acordaram para os riscos de associar suas marcas a projetos cujos impactos socioambienais não sejam tratados profissionalmente. Obrigado pelo artigo, Marcio.

  2. Excelente análise, Márcio, que não trata o engajamento apenas com base nos interesses corporativos, mas inclui o diferencial de considerar os princípios e valores estabelecidos nas normativas citadas.

  3. Excelente artigo! Muito interessante ao abordar a gestão de stakeholders para além da mitigação de impactos socioambientais, possibilita antever conflitos e criar oportunidades – stakeholders como recurso valioso para organização.

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