Os riscos de uma “digitalização às pressas” nas empresas de logistica

Compartilhe nas Mídias Sociais

Share on facebook
Share on google
Share on twitter
Share on linkedin
Share on whatsapp

Carlos Mira, fundador e CEO do Truckpad

O principal impacto causado pelo susto inicial das empresas com a pandemia que ainda assola o país – e o mundo – foi a necessidade de digitalização rápida, algo intrinsecamente ligado à sobrevivência dessas companhias. Uma pesquisa realizada pelo Instituto Brasileiro de Governança Corporativa (IBGC) com executivos brasileiros, mostrou que para 39% dos pesquisados, a empresa não estava preparada para o gerenciamento desta crise. Outros 19% viam sua organização preparada, mas sem um plano estruturado de gerenciamento de crises.

Se pegarmos especificamente a fatia de mercado que representa as empresas de logística, a digitalização por necessidade tem acontecido de forma intensa. Para as que contratam transportes para suas mercadorias, essa procura se tornou mais desafiadora e o uso tecnologia se tornou a solução, já que os terminais de carga estão se esvaziando.

Uma vez encontrado o caminhoneiro disposto a realizar um determinado frete, é muito frequente que o contato inicial seja feito por meio do aplicativo WhatsApp pessoal dos funcionários da empresa de logística. Apesar de ser uma solução prática, que resolve o problema da digitalização a curto prazo, ela envolve uma série de riscos que muitas empresas sequer se dão conta quando fazem essa opção. A comunicação descentralizada impede a visibilidade por parte da companhia sobre o que é acordado com os motoristas e como se dá essa negociação.

O tom usado, as palavras, se alguma ofensa é trocada, nada disso é acompanhado pela empresa, embora a interação toda seja feita “oficialmente” sob o nome dela por um de seus colaboradores utilizando um aparelho de telefone particular. E há uma hipótese ainda mais séria: caso um colaborador utilize de forma indevida informações sensíveis fornecidas pelo caminhoneiro, como sua documentação e dados pessoais, a transportadora pode ser responsabilizada judicialmente.

Embora treinamentos de equipe ajudem a atenuar esses riscos, as brechas ainda são grandes. O ideal é trazer essa interação para um ambiente mais controlado. Já existem, por exemplo, ferramentas que possibilitam que a comunicação ocorra por um único número de WhatsApp corporativo. Dessa forma, os colaboradores da transportadora podem se conectar e usar o mesmo número simultaneamente para os contatos com caminhoneiros.

Com isso, as informações fornecidas ficam armazenadas com a empresa, não nos celulares pessoais dos operadores. Outra vantagem é que a transportadora consegue medir KPIs de produtividade e fechamento de negócios, muito úteis para eventuais ajustes de estratégia. Neste contexto, a implantação dos chamados ChatBots (robôs de comunicação) se tornam uma ferramenta indispensável para empresas que trafegam grandes quantidades de conversas corporativas através deste aplicativo de mensagens.

Mesmo com essa estratégia, o treinamento dos operadores não se torna menos importante. Ter mensagens padronizadas para explicar procedimentos e responder dúvidas mais comuns é importante para a manutenção da consistência do atendimento. Ao utilizar o número corporativo, evita-se também que o colaborador receba ou responda mensagens fora de seu horário de trabalho, o que também evita possíveis riscos trabalhistas.

Embora seja uma ferramenta muito prática, é importante lembrar o que WhatsApp deve ser adotado com cautela no contexto empresarial, para evitar problemas de comunicação, riscos à imagem da empresa e até mesmo penalidades judiciais. O uso da tecnologia é essencial e uma tendência cada vez maior, mas não pode ser indiscriminado, não a qualquer custo e nem às pressas.

*Carlos Mira é fundador e CEO do TruckPad, maior plataforma de conexão entre caminhoneiros e cargas da América Latina, e tem 35 anos de experiência no setor de logística. Foi presidente da ASLOG – Associação Brasileira de Logística e eleito “Personalidade do Transporte do Ano” pela Confederação Nacional do Transporte (CNT). É autor do livro “Logística, o Último Rincão do Marketing”.

Redação Negócios Pro Br

Redação Negócios Pro Br

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.