Tecnologia, estratégia e expansão

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Por Flavia Francis

Pelo título, poderíamos estar falando de uma startup, mas na realidade a minha conversa foi com a CEO da rede de restaurantes Amélie Crêperie, Sálua Bueno.

Economista, carioca, apaixonada por viagens e boa gastronomia, Sálua conta como surgiu o conceito da rede e sua jornada em tempos incertos de COVID-19.

Segundo pesquisa realizada pela associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel) e pelo Sebrae, 7% dos bares e restaurantes fecharam as portas definitivamente, em todo país.

Mas na contramão desse índice, está o bistrô, que oferece uma carta de vinhos democrática e um menu que é um verdadeiro pouso em terras francesas.

FF: Quem é Sálua Bueno e como surgiu o Amélie?

SB: Eu venho de uma raiz acadêmica, me formei e fiz mestrado na UFRJ e sempre trabalhei na academia, mas tinha o desejo de viver a realidade do mercado, só não sabia onde nem quando.
Após um período como concursada, achei que estava no momento e comecei a estudar algo que tivesse uma demanda reprimida e que ao mesmo tempo eu gostasse.

Meu marido e eu sempre exploramos receitas e degustações de vinhos, então percebi que havia uma lacuna no Rio, a cidade não tinha um restaurante com receitas que levassem trigo sarraceno (originário da região da Bretanha, no norte da França).
Além de um produto singular, também nossa proposta também era oferecer um serviço de primeira linha, uma carta de vinhos democrática e um ambiente aconchegante.

FF: Como está sendo atravessar o período de pandemia?

SB: O início foi muito duro. Eu estava numa fase muito animada com a recém-chegada de um novo sócio, que além de muita experiência na área, trazia ideias inovadoras.

No primeiro momento eu fiquei um pouco paralisada, apenas reagindo aos acontecimentos.
Esse processo durou 20 dias, inclusive meu sócio e eu pegamos a COVID e entendemos que precisaríamos observar antes de agir.

Nosso primeiro cuidado foi com a saúde da equipe, adotamos diversos protocolos para garantir a segurança de todos.
Depois começamos a estruturar o delivery, com o qual nunca tínhamos trabalhado.
A primeira loja a adotar foi a da Barra da Tijuca e com o sucesso expandimos para as demais (Gávea e Botafogo).

FF: Quais foram os maiores desafios?

Sem dúvida foi aprender sobre as novas tecnologias (aplicativos de delivery) e administrar o que não estava em nosso controle, como a instabilidade no sistema dos parceiros, o atraso dos motoboys terceirizados, etc
Foi fundamento a parceria com nossos funcionários, que a cabeça ao novo e entenderam as mudança que sofreríamos num momento tão crítico.
A dinâmica do delivery é muito diferente tanto em números quanto na parte operacional e sabíamos que pra nos manter de pé precisaríamos ter um planejamento minucioso.

FF: Quais estratégias foram fundamentais?

Para nos diferenciarmos da concorrência que estava nos apps de delivery, lançamos cupons de desconto, frete grátis e promoções. Mas para que isso não afetasse nosso faturamento, construímos uma gestão de cardápio e foi ali que aconteceu a mágica, na verdade a matemática (risos)!
Identificamos e alinhamos os produtos com melhores CMV (custo de mercadoria vendida), perecividade e comportamento durante o transporte.
Essas estratégias garantiram a qualidade, o sabor, uma margem de lucro confortável e claro, uma excelente apresentação do produto.
A aparência, textura e sabor precisavam estar perfeitos para continuássemos encantando nossos clientes.

FF: Com as lojas físicas fechadas, como vocês atraíram os cliente?

SB: A capilaridade das plataformas de delivery foi muito importante nesse processo.

Mas outra estratégia foi utilizar absolutamente tudo o que tínhamos de CRM (Customer Relationship Management) para conversar com o consumidor que já nos conhecia, seja por whatsapp, email e redes sociais.
A resposta foi muito positiva e consolidamos delivery e expandimos a rede.

FF: Como foi essa expansão?

Foi um trabalho conjunto e orquestrado. Meu sócio foi de extrema importância porque topou o desafio e porque nós acreditamos muito no nosso negócio. Os números e processos estavam respondendo bem, tínhamos que arriscar. Abrimos uma Dark Kitchen (restaurante apenas com delivery) na Tijuca e outra em São Paulo.
Já estamos estudando a possibilidade de uma loja física em Niterói, que possui um público muito parecido com o nosso.

FF: Quais são suas expectativas para o futuro?

SB: Acho que continuará sendo desafiador, mas para termos sucesso, precisamos continuar olhando para os 2 aspectos: custo e qualidade.

A experiência de consumo será cada vez mais importante uma vez que a competição estará mais acirrada e o consumidor mais exigente.

Acho que a grande chave pra atravessarmos esse momento incertezas é a parcerias que criamos tanto com os colaboradores, fornecedores e claro, com nossos clientes.

Sálua Bueno.

Confira o site da ameliecreperie:

http://ameliecreperie.com.br

Flavia Francis

Flavia Francis

Publicitária, carioca e apaixonada por tecnologia, assina a coluna Papo com CEO, trazendo entrevistas e insights do mundo dos negócios.

Uma resposta

  1. Interessante no artigo a rede Amelie ja ter um CRM e estar preparada para o mundo digital. Isso certamente deve ter ajudado em muito a expansão. Parabéns pelo artigo.

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