Derretendo…

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Por Fernando Camara.

Análise Política da Semana – 26 de Janeiro

O discurso ideológico do Governo, assim como a popularidade, começa a
derreter. Em pesquisa recente divulgada pelo Datafolha, o presidente da
República é avaliado como ruim ou péssimo por 40%, contra os 32% em
dezembro passado.
A Covid-19 e o fim do auxílio emergencial são considerados os principais
fatores para a queda de Bolsonaro nas pesquisas. O Governo já mantém
conversas para tentar restabelecer o auxílio emergencial. No entanto, é
inevitável que se pergunte: de onde virá o dinheiro?
O aspecto positivo é que acabou o discurso ideológico contra o
medicamente chinês. Jair Bolsonaro parou de bater no Instituto Butantan
e o alinhamento ao discurso trumpista tem as horas contadas.
Na chegada das duas milhões de doses da vacina da Índia, o ministro das
Relações Exteriores, Ernesto Araújo, deu um giro de 180º no discurso. Os
acontecimentos mostraram que “ser pária”, como ele recomendou, não
foi uma boa ideia.
A postos no aeroporto, para receber a vacina, estava também o ministro
da Saúde, Eduardo Pazuello, que começa a colher os frutos da inépcia com
que conduziu o próprio programa (ou a falta dele). durante a pandemia. A
PGR pediu ao STF que abra um inquérito para investigar a conduta do
ministro, durante a crise de Manaus. São vários os sinais que a
temperatura para a fritura do ministro subiu.
Pazuello já percebeu que não bastou contratar Markinhos Show, como
seu marqueteiro é conhecido. A pandemia exigia, e vai continuar exigindo,
muito mais que um marqueteiro para cuidar da imagem do ministro.

BOLSONARO SE RENDEU ÀS EVIDÊNCIAS

Na semana passada o presidente chegou a dizer que “se a Anvisa aprovou,
temos que acreditar”. Dúvida: se a Anatel disser que o 5G da China é o
melhor, Bolsonaro se renderá?

TEMPERATURA QUENTE

O que precisa ser ressaltado é que, finalmente, o Brasil tem a primeira
cidadã vacinada – Monica Calazans, enfermeira da linha de frente no
tratamento da covid-19 no Hospital Emílio Ribas, referência no país em
doenças infectocontagiosas. Com ela, somam-se outros que já começam a
respirar aliviados.
Pazuello entrou em franca desvantagem na guerra das vacinas, e subiu o
tom desnecessariamente com a imprensa, na semana passada.
Embora tenha criticado a vacinação na primeira cidadã brasileira e
ameaçado o Instituto Butantan com representação judicial, por “quebra
de contrato”, Pazuello cometeu deslizes durante a coletiva de imprensa,
logo após a aprovação da vacina pela Anvisa. Talvez motivado pela
enorme desvantagem que estava em relação a João Doria. Disse que
determinou à Anvisa a aprovação da vacina. Essa afirmação compromete
muito o caráter independente do órgão, e coloca em xeque todo o
trabalho da agência reguladora.
O ministro também afirmou que esteve trabalhando em parceria com o
Butantan desde outubro passado, e que todo o investimento aportado no
desenvolvimento da Coronavac foi do Governo Federal, via SUS. Não é
verdade.
Ou Pazuello mente, ou desobedeceu o presidente que, em 22 de outubro,
proibiu terminantemente qualquer negociação com o Butantan. À época,
Bolsonaro disse, durante apresentação em sua plataforma digital às
quintas-feiras …Doria, arruma outro trouxa para comprar sua vacina”. Foi
nessa ocasião que ele expôs o ministro da Saúde a uma situação
humilhante, ao desautorizá-lo publicamente.

DORIA ATÔNITO

Ao ser informado sobre as declarações de Pazuello, Doria foi enfático,
ainda diante das câmeras: estou atônito com as declarações do ministro,
que diz que as vacinas foram compradas com dinheiro do SUS, do governo
federal, e não do governo de São Paulo. É inacreditável que um ministro,
sem o menor conhecimento em saúde, sem planejamento, um desastre no
ministério, ainda minta. A vacina do Butantan só está aqui porque foi
investimento do estado de São Paulo. Não há um centavo do governo
federal nesse projeto. Chega de mentira, trabalhe pela saúde do seu povo.
Seja honesto, seja decente”.

O NOVO DILEMA

A vacina é uma pauta praticamente pacificada. O próximo passo, e dilema,
são os insumos para a fabricação no Butantan e na Fiocruz. As entregas,
que deveriam chegar da China, estão atrasadas, sob argumentos difusos e
pouco esclarecedores. Alta demanda, burocracia e, até suspeita de vendas
a quem pagar mais, são algumas hipóteses.
O Butantã adotou a estratégia de produzir sob risco, à espera da
aprovação. Por isso, tinha em estoque seis milhões de doses, que foram
entregues ao ministério da Saúde, destinadas ao PNI.
A Fiocruz, entidade ligada ao ministério da Saúde, optou por esperar a
aprovação para começar a produção.
A compra emergencial de dois milhões de doses da Índia, ainda que com
atraso, foi um alívio para o Governo. Pazuello até baixou o tom das
críticas, e recebeu o avião com o mesmo entusiasmo (e ações de
marketing) que condenou em João Doria.

CAMPEONATO INÚTIL

A troca de farpas entre ministro e governador de São Paulo foi pesada.
Pazuello acusou Doria de fazer “golpe de marketing”, ao que Doria
rebateu: “Há 11 meses Pazuello faz golpe de morte”.

UM MINI BRASIL DENTRO DO AMAZONAS

O que está acontecendo no Amazonas é uma sucessão de erros sem
precedentes. Três semanas antes da crise se tornar pauta nacional, o
deputado federal Delegado Pablo-PSL/AM vem denunciando o caos que
foi instalado na Saúde do Estado.
Dia 11, o ministro Pazuello organizou uma comitiva, composta
basicamente por militares que ocupam postos no ministério, para avaliar a
situação do Estado e adotar providências. Com os hospitais em colapso
por falta de oxigênio, Pazuello se limitou a colocar a equipe a orientar o
tratamento precoce, com o já conhecido “kit-covid”, composto, entre
outros medicamentos, por ivermectina e azitromicina, sem comprovação
de eficácia pela ciência.
Sem cilindros abastecidos e pessoas morrendo asfixiadas, Pazuello se
retirou do Amazonas sem providenciar um único cilindro. Restou à
população súplicas emocionadas a representantes da sociedade civil e
imprensa.
Entre as doações, a AMBEV enviou 500 cilindros de oxigênio e o cantor
Gusttavo Lima 150. Os humoristas Whindersson e Tatá Werneck se
encarregaram de mobilizar a classe artística. Uma vergonha para o
ministro, que entrou em modo estátua sem conseguir tomar para si e sua
pasta a coordenação dessa operação. Ao contrário, ocupou-se de lançar
um aplicativo para celular, que recomenda o “kit-covid”, que já saiu do ar,
por motivos óbvios.

FILA PARA QUÊ?

A falta de um sistema digital organizado para controle dos vacinados tem
permitido que centenas de pessoas furem as filas. Políticos, celebridades,
médicos que não estão na linha de frente e, levam até a família, para os
postos, todos marcam um vergonhoso capítulo da pandemia no Brasil.

O especialista em logística pode ter se esquecido desse detalhe.

OLIGOPÓLIO

Apenas para registro: um cilindro de oxigênio dura, em média, cinco
horas. Uma indústria de produção de oxigênio não é uma operação
complexa, mas a aprovação pela Anvisa é mais difícil do que a de uma
vacina.
Diante da pior pandemia do século, o Governo Federal, por meio do
ministério da Saúde, não lembrou de incluir esse item no cronograma do
especialista em logística. Uma intervenção ágil e eficiente teria salvado
centenas de vidas.


ANVISA DEU UM BASTA AO NEGACIONISMO

Durante a apresentação da audiência de aprovação na Anvisa, caiu por
terra a última tentativa do presidente Bolsonaro de convencer a
população a adotar o tratamento precoce.
Segundo diretores da agência, a vacina é necessária porque não há
remédios que funcionem contra a covid-19. Segundo a diretora da Anvisa,
Meiruze Freitas …até o momento, não contamos com alternativa
terapêutica aprovada e disponível para prevenir ou tratar a doença
coronavírus”.

ATENÇÃO À BAHIA

O governador da Bahia, Rui Costa, quer autorização do STF para adquirir a
vacina russa Sputnick V. A Anvisa negou o registro, alegando que a vacina
não atende aos critérios mínimos exigidos, que inclui testes com
brasileiros na terceira fase.
Se a vacina está funcionando em outros países, como na Argentina, quem
sou eu para contestar ou duvidar?

O ADEUS DA FORD

Faltou coerência da pasta da Economia nesse episódio, além das
orientações do presidente Bolsonaro porque, manter as fábricas no país,
foi uma promessa de campanha.
O Brasil precisa, urgentemente, repensar a política industrial: qual o
tamanho do parque com o qual se pretende competir no mercado
externo?
A Ford vai sair do Brasil, mas não vai deixar de vender no mercado
brasileiro. A diferença, agora, é que a fábrica vai gerar empregos em
outros países. Aqui, serão cinco mil empregos diretos e cerca de 25 mil
indiretos descartados.
Se o Governo, por meio do ministério da Economia, não abrir os olhos,
outros players podem seguir o mesmo caminho.

ELEIÇÕES NO CONGRESSO

Seguem em ritmo acelerado as negociações para eleição dos presidentes
da Câmara e Senado, mas o resultado continua imprevisível. Há uma
guerra de informação, que se estenderá até que o último voto seja
apurado.
Na Câmara, disputam Artur Lira, apoiado pelo presidente Bolsonaro, e
Baleia Rossi, candidato do MDB apoiado por Rodrigo Maia.
A importância institucional de Baleia Rossi contribui para que ele atraia o
maior número de partidos, mas igualmente o maior número de
“traidores”, aqueles parlamentares que garantem o voto em um candidato
e, na hora de votarem, escolhem o adversário.
Porém, paira no Congresso a certeza que, quando Bolsonaro diz que apoia
um candidato, geralmente, ele perde. Essa premissa prevaleceu com
todos os candidatos apoiados pelo presidente na eleições municipal de
2020.
No Senado, Bolsonaro apoia Rodrigo Pacheco, do DEM, e opositores
escolheram uma senadora branda e atenta ao Direito Constitucional,
Simone Tebet.
Pacheco disse que não é o candidato do presidente, justamente quando a
popularidade de Bolsonaro chega a um dos piores índices do mandato.

PSL A MAIORIA COM ARTHUR LIRA

O racha do partido que elegeu Bolsonaro, favorável ao candidato Lira, é
explicado pela certeza de que, em uma inevitável briga entre o Planalto e
a Câmara, Arthur Lira será muito mais duro e firme que o concorrente.

PRÊMIO DE CONSOLAÇÃO E MAIS…

Davi Alcolumbre já aceitou assumir um ministério. Não importa qual, mas
vai assumir e a aposta mais forte está na cadeira de Onyx Lorenzoni, no
ministério das Cidades.
Com a ida para um ministério, Alcolumbre abre espaço para o suplente,
Josiel Alcolumbre, por acaso, irmão dele, que foi candidato derrotado à
prefeitura de Macapá.

PAES SENDO PAES

Eduardo Paes vem dando um banho de coerência no combate à covid-19.
Em decisão recente, determinou que as boates podem abrir, mas as pistas
de dança devem permanecer fechadas. Sábia decisão, todos seguirão a
orientação.

PERGUNTAR NÃO OFENDE

Diante de cenário tão caótico – a covid-19 continua matando a índices
alarmantes – o que a pasta da Economia está prevendo para os novos
rumos da economia? Existe algum plano do Governo para se dinamizar a
produção? Alguma ideia para o pós pandemia, que deve ser, mais ou
menos, daqui a uns oito meses?

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