MENU

Home Office em um Veleiro combinado com o Mundo Corporativo

Share on facebook
Facebook
Share on google
Google+
Share on twitter
Twitter
Share on linkedin
LinkedIn
Share on whatsapp
WhatsApp

Você já se arrependeu daquilo que não fez? Você acha que home office ou trabalho remoto é desafiador? Imagina então fazer isso de um veleiro. Aproveitando esse momento em que aproximadamente 8 milhões de pessoas aderiam ao trabalho remoto, segundo o IBGE, conversei com a Maria Fernanda Falcão, Gerente de Projetos no Banco Itaú. Nessa conversa, falamos sobre rotina de trabalho, motivações que levaram a mudança, aprendizados e muito mais.

A pandemia (Covid-19) além de deixar um rastro de muitas mortes e tristeza, gerou também muitas dúvidas e incertezas sobre muitos assuntos.  Não sabemos quanto tempo vai durar essa pandemia, como realmente se proteger e evitar o contágio, quais tratamentos devemos seguir, etc … mas uma coisa temos certeza! A nossa rotina de trabalho nunca mais será a mesma assim como a infraestrutura de TI das empresas.

Falando em infraestrutura de Ti das empresas, a Equinix, empresa mundial de infraestrutura digital™, anunciou no dia 20 de maio de 2021, as conclusões de seu estudo global anual com as visões dos tomadores de decisão de TI sobre as maiores tendências tecnológicas que afetam as empresas em todo o mundo e o impacto da pandemia da COVID-19 nos planos de infraestrutura digital.

A pesquisa foi feita com 2.600 tomadores de decisão de TI em diversas empresas em 26 países das Américas, Ásia-Pacífico e EMEA, o estudo revela que no Brasil: 

  • 66% das empresas reformularam sua infraestrutura de TI para atender às novas exigências de trabalho remoto e híbrido, com aumento dos orçamentos em tecnologia para acelerar a transformação digital.
  • 65% dos líderes digitais no Brasil acreditam que haverá mudanças no longo prazo em relação a onde e como as pessoas trabalham dentro de sua organização.

Visto que essa nova rotina de trabalho estará cada vez mais presente em nosso dia a dia, nada melhor que entender como alguém já vive essa rotina começou. Abaixo, segue a conversa que tive com a Maria Fernanda Falcão.

Tony Trindade: Como era sua rotina e como se sentia trabalhando no modelo tradicional, tendo que ir ao escritório todos os dias e etc?

Maria Fernanda Falcão: Minha rotina era dirigir todo dia pro trabalho (10Km), acredito que a gente acaba se acostumando com tudo, e entramos na inércia de achar que tudo é normal e nossa vida passa a ser só trabalho. Acabava saindo mais tarde, até pra fugir um pouco do trânsito, então sempre foi comum trabalhar muito mais horas por dia. Acho que nem sentimos, mas o acúmulo acaba gerando stress, gerando um cansaço que nem percebemos, mas acaba afetando sua saúde a longo prazo.

Tony Trindade: O que te incomodava no modelo tradicional de trabalho e o q fez você pensar em mudar?

Maria Fernanda Falcão: Na verdade, esse desejo de ir pro mar sempre me acompanhou, mas sempre pensei que precisaria abandonar a vida corporativa e vinha me planejando para fazer isso num longo prazo. A pandemia, apesar de estar sendo péssima para todos, acabou me auxiliando a poder experimentar essa vida sem ter que pedir demissão. A empresa que trabalho colocou toda nossa área para trabalhar remotamente logo no início da pandemia, e inclusive nos ajudou comunicando datas até as quais não voltaríamos ao trabalho presencial (em geral 3 meses), possibilitando um melhor planejamento dos colaboradores. Aproveitei e coloquei em prática meu sonho de morar a bordo. 😊

Tony Trindade: Por que essa mudança foi justamente morar a bordo e não simplesmente mudar para o litoral para fazer home office, morando em um apto ou casa?

Maria Fernanda Falcão: Eu já tinha o barco e “morava nele” nos finais de semana há dois anos. Mas já queria o veleiro antes, pois ele traz a ideia da “casa móvel”, que te permite conhecer mais lugares, podendo mudar e sem precisar arrumar a mala. Além disso, te traz a opção de visitar estes locais usando energia limpa, apenas o vento a seu favor, é uma forma muito mais integrada a natureza. A ideia é no futuro levantar ancora e ir mais longe… 😊

Tony Trindade: Como foi a preparação para essa mudança e quais ações e cursos precisou fazer? Você já velejava ou tinha contato com o mundo náutico?

Maria Fernanda Falcão: Eu iniciei com o curso de vela, depois fiz os cursos para habilitação, antes de comprar o veleiro, Fiz Arrais e Mestre. Agora estou estudando para Capitão. Apenas os cursos não te dão experiencia, então acabei fazendo vários passeios (charters) e regatas para aprender mais e ganhar umas milhas. Além disso fiz uns cursos online de meteorologia, motores a diese, elétrica. Tudo para tentar ser o mais autônoma possível. Precisamos estar preparados para travessias maiores.

Tony Trindade: Para muitos, o mundo náutico é para ricos e tudo é muito caro. O que teria a dizer para quem não conhece esse mundo e tem essa percepção? Realmente é só para os ricos?

Maria Fernanda Falcão: Acho que essa relação é feita pelas revistas que mostram sempre as lanchas enormes, que realmente são para ricos… rs. Mas essa não é a realidade de quem mora a bordo. A maioria dos barcos custa bem menos que uma casa ou apartamento, e a maioria tem o barco como seu único bem. Hoje estamos num momento de alta do mercado, os preços de barcos subiram bem, assim como motor homes, entendo que muito em função da pandemia, mas mesmo com essa alta, ainda está mais barato que um apartamento em São Paulo pelo menos.

Tony Trindade: Pelo que pesquisei, você é de exatas e trabalha com sistemas/tecnologia. Você acha que trabalhar com tecnologia facilitou essa mudança? Por quê?

Maria Fernanda Falcão: Sim, entendo que facilitou pela área em que trabalho. Se minha área exigisse trabalho presencial, eu não conseguiria. Mas vejo muitas áreas hoje que se adaptaram muito bem ao trabalho remoto e acho que essa é uma nova tendência.

Tony Trindade: Que tipo de aprendizado na vida a bordo conseguiu levar para o mundo corporativo?

Maria Fernanda Falcão: Planejamento e organização. Por você estar com acesso mais limitado, você precisa se planejar mais e com maior antecedência. Eu sou gestora de projetos, então eu já tenho muito isso comigo há tempo… rs

Tony Trindade: Você consegue fazer um paralelo entre as atividades do mundo corporativo e o dia a dia no veleiro?

Maria Fernanda Falcão: Não sou muito boa nisso, mas teve uma palestra do Amyr Klink na empresa sobre como lidar com os problemas. Quando ele resolveu atravessar a remo o Atlântico, o problema seria virar a canoa, ele projetou a canoa para que ela pudesse virar. Quando pensou em ir pra Antártida, um dos problemas foi ficar congelado nas águas de lá, ele então projetou o barco para ficar “invernado” por lá e assim o fez. Acho que os livros da Amyr dão uma aula de planejamento. Rs

Tony Trindade: Quais são os principais desafios em morar a bordo e trabalhar no mundo corporativo e como consegue transpor? Internet, energia?

Maria Fernanda Falcão: Eu uso internet 4G, pois fico em uma poita próxima a terra e o sinal aqui é muito bom. Uso plano de dados de 100gb por mês e isso me dá uma média de velocidade da internet de 10 a 20Mbps, o que me permite participar de videoconferências sem maiores problemas. Para energia, tenho placas solares a bordo que mantém minha energia sem a necessidade de usar o motor. Minhas placas até são fracas (200W), pois quando colocamos era pra suprir apenas a geladeira nos finais de semana, hoje uso muito mais, mas ela tem dado conta tranquilo. Tenho um aparelho da Xantrex que me ajuda a verificar o status das baterias. Só preciso ligar o motor pra reforçar a carga quando chove por mais de 3 dias seguidos… (o que é bem raro)

Tony Trindade: Hoje você mora sozinha, correto? Conhece outras pessoas que vivem a bordo com filhos? Qual sua percepção? Acha possível? Pergunto isso pela rotina de escola, etc.

Maria Fernanda Falcão: Sim, moro sozinha, mas conheço pessoas que têm filhos e moram a bordo. Não conheço pessoalmente, mas faço parte de grupos e sei de um casal que mora em Ilhabela e o filho ia pra escola (antes da pandemia), mas também tem gente dando a volta ao mundo em que as crianças fazem o homeschooling.

Tony Trindade: O que diria para alguém que está pensando em viver a bordo mas tem receio de mudar e não conseguir manter os custos?

Maria Fernanda Falcão: Quase todo mundo gasta bem menos morando em um veleiro. Lógico que depende do estilo de vida de cada um, mas eu diria, experimente, veja se gosta e dê o primeiro passo. A vida é curta pra seguirmos numa inércia sem fazermos o que realmente gostamos. As pessoas geralmente se arrependem do que deixaram de fazer.

Espero que tenham gostado do artigo e possam aproveitar para aumentar sua produtividade e refletir sobre o que você ainda não fez e se arrepende !!!

Deixe seu comentário e compartilhe sua opinião comigo!

Perfil da Maria Fernanda Falcão, no Linkedin: https://www.linkedin.com/in/maria-fernanda-falc%C3%A3o-8a8476/

Link da pesquisa feita pela Equinix: https://www.equinix.com.br/newsroom/press-releases/2021/05/65-dos-l-deres-digitais-no-brasil-esperam-mudan-as-no-longo-prazo-em-rela-o-a-onde-e-como-as-pessoas-trabalham

Publicidade

Mais Publicações como esta

Brief Semanal 20.09.2021

Por Massimiliano Cervo Sem dúvida, a primeira parte de cada mês é a que fornece os dados mais importantes, que afinal é

Brief Semanal 13.09.2021

Por Massimiliano Cervo Uma semana que prometeu muito mais em termos de movimentos nos principais ativos está chegando ao fim, embora no

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.