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8 delícias e desafios sobre cozinhar do outro lado do mundo

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A chef Mariana D’almeida foi a convidada da semana na live no @negociosprobr

O que a comida significa para você? Ela te remete a momentos em família? Te faz lembrar da infância? O fato de sentar-se à mesa e apreciar uma boa refeição é capaz de melhorar seu humor? Agora imagine cruzar o mundo, mergulhar em um país totalmente diferente do Brasil e misturar culturas, texturas e ingredientes em um único prato. Esse é o desafio diário da Mariana D’almeida, chef de cozinha no The Butcher’ s Wife, restaurante que fica em Singapura, no sudeste asiático.

Conversamos com a Chef na live semanal do NPBR no IGTV da @negociosprobr. Durante a entrevista, falamos sobre a chegada da Mariana na Ásia, das delícias e desafios de cozinhar para um povo com gostos e costumes bem diferentes do nosso e do amor pela profissão, que é o fator motivador que levou a brasileira a empreender em uma nação distante.

Para acompanhar na íntegra é simples: além do IGTV, o material também será disponibilizado no Spotify, na playlist do Negócios on Demand, e no canal do Youtube do Negócios Pro Br. Confira alguns destaques e saboreie essa história de sucesso.

Negócios Pro Br: Como você foi parar em Singapura?

Mariana D’Almeida: Eu estava morando em Paris há dois anos com o meu marido que é um chef francês, e surgiu um convite muito inesperado. A gente estava trabalhando em um bistrô em Paris, e a dona  da empresa que a gente trabalhava, que é um grupo bem grande de Singapura, achou a gente, gostou da comida e nos convidou. Entre negociação de quando e como ir, a gente se jogou. A gente queria viajar, e o nosso sonho quanto Chef é ter novas culturas e novos sabores em nossa bagagem

Negócios Pro Br: Como foi a aceitação do mix de sabores, unindo a culinária brasileira e asiática?

Mariana D’Almeida: Foi curiosa. Eu comecei a colocar um toque brasileiro bem suave, eu queria que primeiro as pessoas provassem a comida no geral e confiassem nos pratos que eu estivesse preparando. E aí, o dadinho que é um deles, que faz super sucesso, com queijo dentro foi bem curioso ver a reação e eles perceberem que a comida brasileira vai além de churrascaria e rodízio. Eles foram adorados, vendo vários ingredientes tropicais que a gente também usa no Brasil, como a mandioca e a tapioca, ingredientes que fazem parte de seis pratos do restaurante, entre salgados e doces. Então eles viram que tem muito em comum, mesmo longe. Foi bem divertido.

Negócios Pro Br: Tirar os consumidores da zona de conforto na hora da alimentação?

Mariana D’Almeida: Foi bem interessante. Assim que eu cheguei, na primeira semana, eu fui para vários mercados maravilhosos. Lá, eu comecei a ver banana da terra, aipim, carambola, e fui pegando as coisas e imaginando como poderia ser feito de forma diferente do que o povo local estava acostumado. O primeiro feedback que eu tive foi dos funcionários, que falaram que ninguém fazia algo parecido aqui. Outro bom exemplo é o quiabo, que a gente tem bastante no Brasil. E ai, eu fui revertendo o jeito de usar, mas também como usar e como colocar esse ingrediente tão comum na mesa de um restaurante mais pomposo, com técnica e que eles vão adorar e ter uma boa experiência. As pessoas começaram a gostar da ideia, foram comendo e espalhando. Aqui é legal porque Singapura é pequena, menor do que o Rio de Janeiro, então é um local onde o boca a boca funciona bem.

Negócios Pro Br: Como foi a troca cultural na sua chegada?

Mariana D’Almeida: Foi uma curiosidade. Sempre me perguntavam se os ingredientes eram típicos e em que parte do Brasil eram consumidos. Eu sempre sentava e explicava, falando que o Brasil é um lugar muito grande. Fui explicando falando que a fermentação está muito presente, como aqui em Singapura. Eles ficaram super curiosos e intrigados, pesquisando no google. Essa troca é uma das melhores coisas que tem no comando de um restaurante, principalmente no meu caso em que estamos em uma cozinha aberta. Então, você está fazendo a pessoa experimentar coisas novas no paladar, mas também novas culturas e conhecimentos.

Negócios Pro Br: Como foi a sua experiência de pesquisa e visitação com o hawker?

Mariana D’Almeida: Meus Deus, aquilo é uma maravilha. Quando a gente chegou aqui para morar, a gente ia toda semana. Quando a gente vem de fora, principalmente brasileiro, encontramos um complexo com vários tipos de comidas, com mesas comunitárias, super barato e com cerveja gelada. Logo pensei que teria um bom competidor. Os restaurantes aqui têm uma boa competição. Como Singapura é misturada com várias culturas, com muitos estrangeiros, a gente precisa do conforto da nossa comida. As pessoas daqui são super exigentes com o que comem, porque eles têm uma comida muito boa com um preço acessível, então se eles forem pagar um pouco mais caro, tem que ser a comida. Foi interessante entender o que é comer fora para eles.

Negócios Pro Br: Como é que você vê a questão da relação com o público?

Mariana D’Almeida: Vai ter aquele cara que vai chegar mal humorado, mas vai ter aquele cliente que vai trocar e vai virar amigo. É isso que eu quero, quero essa troca, e se um dia isso deixar de acontecer eu vou perder o propósito do que eu estou fazendo.

Negócios Pro Br: Por que você escolheu a cozinha?

Mariana D’Almeida: Minha mãe e minha avó não são do ramo, mas sempre cozinham em casa, e eu sempre amei comer. Eu comecei a me intrometer na cozinha. Eu fazia cookie na escola com 13 anos. Anotava os pedidos, acordava mais cedo e preparava os cookies. É uma relação de muito amor. Você está ali todos os dias trabalhando doze ou treze horas por dia querendo um sorriso em troca do cliente, ou o cliente falar que a comida lembra a da mãe. Isso vale a pena todo o suor e o sacrifício. Então é isso, marcar a vida com a comida.

Negócios Pro Br: Qual prato você mais gosta de fazer e qual é o mais importante na sua vida?

Mariana D’Almeida: O que eu mais estou gostando de fazer no dia a dia é a moqueca. Toda a vez que a gente faz, que a gente entrega para o cliente, eu provo um milhão de vezes a comida, para ver o sal e a acidez. Eu posso estar em um serviço muito apressado, com mil coisas pra fazer, mas quando eu coloco a moqueca na boca, eu faço uma viagem express para o Brasil e volto. E toda vez eu penso que consegui colocar moqueca para vender em Singapura.  O mais importante não é uma receita, é o processo. Eu tenho um orgulho gigantesco de afirmar que todos os meus ingredientes são feitos do início ao fim. Até o polvilho azedo a gente faz para colocar no pão de queijo. Então, não é a receita mais importante, mas é o passo a passo. Essa é a maior importância.

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